{"id":69,"date":"2014-07-19T22:00:45","date_gmt":"2014-07-19T22:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/leandrosalebian.com.br\/2014\/?p=69"},"modified":"2015-10-05T22:11:19","modified_gmt":"2015-10-05T22:11:19","slug":"a-depressao-de-um-ponto-de-vista-psicanalitico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/a-depressao-de-um-ponto-de-vista-psicanalitico\/","title":{"rendered":"A depress\u00e3o de um ponto de vista psicanal\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p>Antes de iniciar este texto, gostaria de fazer uma ressalva: autodiagnostico n\u00e3o \u00e9 uma boa ideia*. O intuito deste texto, mais do que dar nomes ou etiquetas, \u00e9 lan\u00e7ar quest\u00f5es que possam ajudar o leitor a pensar sobre o tema ou, no m\u00ednimo, a questionar situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Definir o que \u00e9 depress\u00e3o do ponto de vista psicanal\u00edtico n\u00e3o \u00e9 simples, pois n\u00e3o se trata de um fen\u00f4meno que \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de sinais e sintomas. \u00c9 um mal estar, muitas vezes difuso, que a pessoa n\u00e3o sabe dizer o que \u00e9, mas que percebe que a deixa sem motiva\u00e7\u00e3o, energia ou vontade de fazer as coisas, podendo ou n\u00e3o ser acompanhado de uma paralisia das atividades cotidianas. Ou seja, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel sentir esse mal estar e continuar realizando tudo o que normalmente se faz na vida di\u00e1ria, mas sem ver brilho ou cor no mundo e nas atividades.<\/p>\n<p align=\"justify\">Muitas vezes, esse mal estar difuso aparece em sensa\u00e7\u00f5es corporais ou em pensamentos espont\u00e2neos, pensamentos estes que em muitos casos s\u00e3o autorecrimina\u00e7\u00f5es, autodepreciativos ou algo do tipo. Ou seja, algo est\u00e1 voltado contra a pr\u00f3pria pessoa, mas que ela mesma desconhece, indicando algo que acontece alhures, onde ela n\u00e3o tem acesso dentro de si, mas que mesmo assim sente seus efeitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste ponto, \u00e9 importante lembrar que os fen\u00f4menos mentais n\u00e3o surgem por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea: algo acontece que resultam neles. Isto posto, \u00e9 interessante pensar em como as pessoas que convivem com algu\u00e9m que diz sentir-se mal desta forma \u00e0s vezes lidam com o assunto, dizendo que a pessoa deve tentar pensar positivo, que deve se esfor\u00e7ar para melhorar ou que basta querer ficar bem. Qual o erro dessas pessoas que d\u00e3o estes \u201cconselhos\u201d?<\/p>\n<p align=\"justify\">Vale retomar um autor cl\u00e1ssico para ajudar a responder isso: Freud em seus escritos sobre melancolia** levava em considera\u00e7\u00e3o o Inconsciente. E o inconsciente \u00e9 aquilo que n\u00e3o temos acesso, mas que faz parte de n\u00f3s, exercendo, portanto, efeitos mas sem que se tenha acesso direto a ele. Efeitos \u00e0s vezes impercept\u00edveis, \u00e0s vezes esquisitos (como sonhos), ou que podem nos causar alguns problemas (atos falhos e sintomas).<\/p>\n<p align=\"justify\">Ora, se uma pessoa se queixa de um mal estar difuso, que n\u00e3o consegue identificar de onde vem ou o que significa, a chance maior \u00e9 de que n\u00e3o tenha acesso ao que a afeta, j\u00e1 que inconsciente, ficando a merc\u00ea dos efeitos do que est\u00e1 l\u00e1, pouco podendo fazer sozinha para lidar com o que acontece. Quando se diz que algo \u00e9 inconsciente, necessariamente se est\u00e1 dizendo que aquilo \u00e9 algo que a pessoa n\u00e3o tem como ter acesso direto e tampouco sozinha.<\/p>\n<p align=\"justify\">E \u00e9 aqui que entra o m\u00e9todo proposto por Freud, a psican\u00e1lise: ao falar livremente, associando ideias, contando sonhos, falando sobre sintomas, vida atual, vida na inf\u00e2ncia, projetos para o futuro, enfim, sobre o que lhe vier a mente na an\u00e1lise, a pessoa fala de si como um todo, ou seja, na fala se expressa o consciente e tamb\u00e9m o inconsciente. O analista, com sua escuta, pode, ent\u00e3o, trazer \u00e0 baila pontos antes encobertos, desconhecidos. \u00c9 a partir da\u00ed, numa investiga\u00e7\u00e3o, com quest\u00f5es levantadas na an\u00e1lise, que \u00e9 poss\u00edvel ter algum acesso ao que antes estava inconsciente e construir outras respostas para o que est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta forma, s\u00e3o as perguntas, as interroga\u00e7\u00f5es e principalmente a vontade de saber que s\u00e3o os meios de um processo de an\u00e1lise!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Uma indica\u00e7\u00e3o de livro sobre depress\u00e3o: O Tempo e o C\u00e3o, de Maria Rita Kehl.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>*Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre a ressalva inicial, clique\u00a0<a href=\"http:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/por-que-o-autodiagnostico-pode-ser-prejudicial-e-quando-buscar-um-tratamento\/\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>**Era assim que ele denominava o que hoje seriam as depress\u00f5es. Contudo, h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre depress\u00e3o e melancolia que \u00e9 feita depois dele, mas n\u00e3o abordarei a melancolia aqui.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos mal-entendidos quando se fala sobre depress\u00e3o. Entenda mais sobre o assunto aqui.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-69","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":241,"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69\/revisions\/241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/leandrosalebian.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}