Quanto custa fazer análise?

É comum que no primeiro contato por e-mail ou telefone me perguntem: “Mas e quanto custam as sessões?”

Sempre respondo: isto é conversado pessoalmente.

Mas porque isso? Não seria mais fácil se eu já desse um valor fechado aí a pessoa já vê se pode pagar e pronto?

Na verdade, não seria.

Eu trabalho da seguinte forma: a partir de uma primeira escuta em que a pessoa pode falar o que a leva a buscar por um profissional e contar o que está acontecendo, é possível conversar também sobre a questão do pagamento das sessões e combinar um valor.

O valor pago em uma análise/terapia deve estar a serviço da própria análise, é parte do processo. Há boa literatura acadêmica sobre o assunto para quem quiser saber mais, iniciando lá com Freud em seus escritos sobre a técnica, passando por Lacan e chegando até pensadores atuais. O dinheiro, objeto carregado de valores simbólicos, é um assunto que desperta emoções dos mais variados tipos para cada pessoa, ou seja, é um objeto simbólico dotado singularmente de significados, e pode, por isso mesmo, ser bom material de análise, mesmo que isso não apareça no início. E muito frequentemente é objeto de pudores.

Numa análise em que a única regra é falar livremente, sem censura, pois a fala é o material com que se trabalha, sentir-se livre para falar sobre qualquer assunto é importante. E um possível começo pode ser aí: como bem indicou Freud lá em seus ensaios técnicos pelos idos do começo do século XX, uma boa forma de começar a conseguir falar livremente pode ser falando justamente sobre dinheiro.

Um ponto importante, que apenas farei alusão aqui: se o dinheiro está carregado de valores simbólicos, pode ter muito a ver com o que acontece na vida de quem procura uma análise ou terapia, às vezes até mesmo com seu sintoma. Há um cálculo aí que não pode ser desprezado. Existem situações muito variadas como a dificuldade em gastar o que se conquistou, falta de dinheiro por não conseguir guardá-lo, uma inibição em cobrar pelo próprio trabalho, aversão ao dinheiro, e muitas outras que são indicativas de questões importantes, embora a pessoa possa sequer perceber o que está acontecendo consigo mesma.

Desta forma, por mais que seja inevitável pensar no custo financeiro de uma análise, sentir medo de fazer uma proposta ao analista ou tudo o mais que se pode pensar e sentir quando se quer procurar um tratamento, digo que vale a pena vir e conversar a respeito, tentar um contato e ver o que é possível fazer. O importante, retomo, é sentir-se livre para falar e, principalmente, falar livremente!