Organicistas X Não-organicistas

Existe uma séria questão entre os psicólogos e psiquiatras organicista de um lado e psicanalistas, psicólogos e psiquiatras de abordagens não-organicistas de outro.

Por organicista entende-se aqueles que defendem que não há questões psíquicas: tudo o que há são neurotransmissores e células nervosas, bastando “regular” os níveis de neurotransmissores que tudo irá se resolver. Desta forma, tudo o que fazem é prescrever remédios para tratar de sintomas. Sintomas que defendem que são apenas o que aparentam ser, não significando nada para além de si próprios.

Isto posto, digo o seguinte: um sintoma, que é algo que acontece com a pessoa e que a perturba, incomoda, irrita, às vezes impossibilita de fazer um monte de coisas, este sintoma tem um significado (ou alguns significados). É claro que não defendo aqui uma relação causal simplista, ao estilo positivista. Esse significado é fruto de um funcionamento psíquico complexo, é sobredeterminado (ou seja, várias causas se juntam para formá-lo e mantê-lo), e ligado a muitos assuntos diferentes. Mas fundamentalmente há um porquê dele existir. E um porquê que está atrelado, inconscientemente, a um Sujeito.

Ser um não-organicista não implica de modo algum negar o corpo: significa apenas que se defende o posicionamento de que as CAUSAS de muitos problemas e mal-estares não são orgânicas, mas que justamente estas outras causas psíquicas podem levar, frequentemente, a problemas orgânicos (em alguns casos, problemas graves). Significa que se investiga noutros lugares as causas, variando com relação ao campo de saber (Gestalt, Behaviorismo, Psicanálise, etc).

Devido a uma suposta eficácia dos remédios (e do enorme incentivo da indústria farmacêutica…), os organicistas alegam deterem conhecimentos e práticas realmente efetivas e a rebaixar os outros campos de saber, muitas vezes pejorativamente, acusando-os de fantasia, contos-de-fadas.

A isto respondo: tratar apenas os sintomas é tratar as causas do que está acontecendo? Inegável que os sintomas muitas vezes diminuem, mas será mesmo que é só isso o que importa? Tomar remédios o resto da vida para abafar sintomas não me parece a solução. Por outro lado, ir atrás disto que o sintoma diz, isto que está sendo mal-dito pelo sintoma, ir em busca de um bem-dizer sobre si próprio, pode ter efeitos, os quais podem ser muito mais libertadores. Em algumas pessoas os efeitos são surpreendentes.

Neste ponto, vale a pena ler o texto Sintomas X Causas.

É necessário falar sobre isto, pois vivemos numa era que quer resultados rápidos a qualquer custo e que descuida, pela pressa, em saber da qualidade destes resultados.